sábado, 22 de outubro de 2016

Antonio Negri e nós- sobre multidão e invisibilidades

Quarta 26 Out 14 horas conversas com Antonio Negri e sobre multidão e invisibilidades. Biblioteca Mario de Andrade, São Paulo, Brasil.


Sobre o silenciamento e invisibilidade da multidão e a desmemoria das revoltas.

Por Salloma Salomão, explanação elaborada, por ocasião do Seminário Antonio Negri organizado pela Universidade de São Paulo. Dia 26 de Outubro.  



Jornal do comercio de 21 de maio de 1835.

Escrevem da Jamaica: Os negros recusam trabalhar, e temos aqui todos os sintomas de insubordinação, e toda razão para recear uma revolta geral. Já se efetuaram varias tentativas incendiárias e a ilha acha-se ameaçada de uma tragédia tão sanguinolenta e horrível como a de São Domingos. As noticias de demerara não são menos assustadoras. Trinta e seis negros, cabeças de alguns milhares foram sentenciados a morte. Santa Luzia acha-se também em um estado muito crítico.        

Boa tarde a todas, a todos. Quero me apresentar porque imagino que maioria aqui não me conheça, mas antes quero também agradecer o convite do professor Jean Tible e de todas que organizam esse belo evento. Sou Salloma Salomão Jovino da Silva, um dos 52% dos descendentes de africanos, que vivem no Brasil atualmente. Filho de Antonio Jovino e Ana Silva e pai do Gabriel, Ana Raquel, Luiza e Flávia. Nasci no interior e Minas Gerais e ao vir para São Paulo no início da década de 1970, fui morar na zona sul da Capital. E tenho rodado pelo Grajaú, Jardim Angela, Pedreira, Jardim Miriam, Parque Santo Antonio, Pirajussara, Itapecerica, Embu e Taboão da Serra desde então.

Durante o ensino básico frequentei apenas precárias escolas públicas, mas fui obrigado, pelas condições sociais e seletividades raciais a cursar em uma Universidade Privada. Por sorte ingressei na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, quando aquela ainda possuía alguma aura ecumênica, libertária e popular. Lá eu fiz a graduação, mestrado e doutorado em História.

Sou professor público há quase 30 anos, trabalhei na FEBEM, na Rede Estadual de Educação. Atualmente desenvolvo projetos de educação continuada de professores da Rede Municipal de Educação e sou professor Titular horista de uma Universidade Pública Municipal da cidade de Santo André, no ABC, a Fundação Santo André. Ministro aulas das disciplinas de História da África, da Diáspora Negra e História das Américas.

Considero ser esta uma ótima oportunidade para fazermos um exercício interpretativo sobre a sociedade brasileira atual, tendo em vista não apenas a contribuição do pensamento de Antonio Negri, como o próprio clima sócio-político que agora assombra parte da sociedade brasileira.

Para tanto, eu quero me ater a reflexão ensejada pelo Michel Hardt e Antonio Negri, na publicação de 4ª edição  brasileira de Império, datada de 2002.  Trata-se do capítulo 2 intitulado Transições de Soberania, especificamente questões por eles colocadas, sobre Estado Nação, Colonialismo e Identidades negras.

De forma sinceramente incipiente e humilde, mas nem não subalterna, alias como é esperado de intelectuais de mentalidade colonizada, quando diante de pensadores europeus. Primeiramente pretendo traçar um contraponto com Michel Hardt e Antonio Negri, no tópico sobre formação dos estados nacionais na Europa, pensando nas peculiaridades da constituição do Brasil, enquanto estado nação e os lugares históricos, simbólicos e sociais destinados aos descendentes de africanos nesse arranjo neo-colonial. Em segundo lugar é meu objetivo sustentar a ideia de que as elites intelectuais contemporâneas brasileiras, por medo e interesses na manutenção da ordem social e da unidade nacional, são coniventes com a cultura de violência estatal, que tem vitimizado de forma radical, desumana e vergonhosa as populações negras no Brasil e, sobretudo, a juventude negra urbana.

Ainda em dialogo com Negri e Hardt, meu argumento central incide sobre duas ideias que venho trabalho para pensar as formas culturais afro-brasileiras. Uma é aquela que diz respeito a modernidade reacionária das elites brasileiras e segunda é sobre a cultura e pedagogia da violência como forma de controle social das populações  subalternizadas.

Sobre a modernidade reacionária das elites é preciso lembrar qualquer estrangeiro recém chegado, que um discurso muito eficaz sobre a identidade brasileira tem sido manipulado pelo estado e pelas elites intelectuais desde a primeira metade de século XX, no sentido de mostrar uma imagem de harmonia social e de hierarquia social cuja permeabilidade e plasticidade favorecem a não existência de racismo. Em outras palavras mesmo hoje a ideia de democracia racial brasileira, ainda forja a imagem interna e externa da identidade do estado nação.

Estrangeiros, ou mesmo nacionais cujas visões sobre o Brasil foram moldadas por textos e imagens idílicas de Gilberto Freyre ou de neo-freyreanos como Peter Fry, Ivone Magie ou Lilia Schwarcz, certamente devem ficar arrepiados com a emergência de narrativas dissidentes sobre a identidade una do Brasil, quando elaborados por pensadores afastados do poder estatal, acadêmico ou politico.

Vou fazer aqui um exercício de síntese histórica e desde já penso desculpa aos historiadores, antropólogos e sociólogos escolares que estiverem no recinto. A finalidade dessa síntese é didática, certamente vou perder no caminho muitos detalhes importantíssimos sobre a História oficial do Brasil. Mas creio eu que a causa é boa.         

1-      O Brasil como estado nacional foi formado por um episódio fortuito ocorrido na Europa, qual seja, a invasão de Portugal pela França napoleônica e a fuga da família real portuguesa para Brasil em 1808.

2-       A declaração de independência operada por um monarca da casa real portuguesa em 18822, não significou uma ruptura, mas ao contrário, uma continuidade do projeto colonial. O escravismo racial foi não apenas mantido, como foi combinado com um projeto colonial interno visando o embranquecimento gradativo da população.

3-      O Golpe militar de estado que suprimiu a monarquia e instaurou a República dos Fazendeiros, implicou em continuidades e não em ruptura da ordem social.

4-      Os autoritarismos das elites modernizadoras, mas notadamente reacionárias delimitaram todas as formas de ordem, poder e controle social, cultura e político ao longo do século XX.

5-      Ainda assim multidões de excluídos em inúmeros episódios desenvolveram práticas de contestação da ordem e da noção de progresso concebidos pelas elites.

Agora vou definir ao meu modo, o que vem ser cultura da violência. Uma visão histórica naturalizada sobre o escravismo, nos leva a pensar que haja pessoas cujas existências sejas definidas como propensas a se deixar escravizar. Contudo passamos a adotar outra percepção ao estudar sobre a captura e transplantação de quase 20 milhões de africanos e africanas para as terras recém ocupadas no extremo ocidente,  algo que os europeus entenderão como sendo o “novo mundo”.

Mediante a emergência de estudos sobre a subjetividade de pessoas cativas, somos obrigados, a admitir os escravistas de maneira geral, tiveram que se desdobrar desde os primeiros tempos para transformar seres humanos plenos em pessoas escravizadas e produtivas. Somos também forçados a reconhecer que nos mais de 300 anos de tráfico comercial e legal de pessoas e ainda nos mais de cem anos de atividade consideradas ambiguamente ilegais, traficantes e proprietários de pessoas tiveram que elaborar uma serie de procedimentos detalhadamente racionais, para converter pessoas capturadas ou nascidas em cativeiro, em pessoas submetidas a uma ordem que era ao mesmo tempo, pessoal, econômica e políticas, cujas dimensões haviam se tornado mundiais.

Ao início do século XIX, o tráfico negreiro e o escravismo global haviam adquirido um formato tão largo e sistemático, quanto à própria expansão cultural e econômica do ocidental. Nesse tempo era possível encontrar pessoas negras escravizadas desde Moscou até Londres, desde as Ilhas Gregas, passando pela península itálica e englobando a península Ibérica, desde a Turquia até a China, desde a Patagônia até o Alasca.

A economia escravista e tráfico negreiro formaram efetivamente as bases do capitalismo industrial e ainda duzentos anos após o início de sua supressão, seus efeitos ainda podem ser notados em varias sociedades, sobretudo naqueles que estiveram no epicentro do tráfico e do escravismo, como é o caso do Brasil.

Traficantes de origem portuguesa nascidos no Brasil, no começo dos oitocentos assumiram a dianteira nas atividades de captura, compra e venda de pessoas africanas e participaram ativamente nas novas redes que se formaram ao longo da costa atlântica americana, quando a ilegalidade da rentável atividade, mostrou seus primeiros efeitos.

Os fazendeiros fluminenses, mineiros e paulistas, tão cantados como nossos modernizadores, rapidamente se adequaram aos novos tempos e combinaram suas atividades produtivas com o comércio interno e clandestino de pessoas negras. Estes mesmos que fustigavam o Império, enquanto fomentavam a República.

Para ilustrar o aprimoramento da cultura da violência empregada vou me reportar a um evento ocorrido em uma fazenda no interior fluminense em 1832, no qual os escravizados mataram capatazes e fazendeiros e ocuparam um livremente a propriedade por quase um mês.    
Textos inconcluso.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Salloma Salomão e Al Andaluz na Fábrica de Cultura








Projeto Musical Salloma Salomão e Banda Al-Andaluz

No seu sexto Cd independente Salloma Salomão busca lançar um olhar sobre os principais elementos da música pop, revisitando-os dentro do seu próprio repertório, que possui mais de 300 canções criadas entre 1976 e hoje. O repertório tem por base um quarteto tradicional de pop rock, enriquecido por timbres eletrônicos e também sopros, cordas e tambores. Os elementos melódicos, rítmicos e harmônicos básicos em estado crú de Soul, Samba, Salsa, Toadas, Reggaes e Baladas são mixados com referências aos discos dos anos 1970 de Caetano Veloso, Luis Melodia, Jards Macalê, Gilberto Gil, Cassiano e Milton Nascimento. São texturas sonoras para expor uma poética banzo-blues derramada e dramática, que, entretanto, se recusa ao niilismo atual.

Banda Al Andaluz é:

Felipe Godoy- Bateria e percussão;
Sandro Lima - Violão, Charrango e Baixo;
Guilherme Prado - Guitarra, Violão e Cavaquinho;
Rafael Franja- Bateria, Percussão e programação;
Will Cavagnolli - Baixo e Guitarra;
Denys Fellipe - Sax
Elias Costa - Trompete picollo e Flughorne;
Wellington Bernado Santos - Trombone, Sax Alto,
Jessica Evangelista - Flauta

CONVIDADOS: Naruna CostaJames BantuCamila Brasil e Gabriel Rodrigues da Silva

Responsável pela Gravação - Nilson Costa
Iluminação - Míriam Selma
Imagens - Douglas ArrudaMa CcaAnna Raquel Rodrigues e Encouraçado Filmes
Responsável pelos Grafites - Gabriel Rodrigues
Oficina de Mankala - Yara Coelho





Por Grazi Ribeiro



Ontem foi aniversário do meu amigo Salloma Salomão. Junto à data, seu show.
São 31 anos de amizade. Muito o que se dizer??? Às vezes, é tanto que nem dá. Mas, vou lhe escrever sim.
Nestas 3 décadas, experiências foram compartilhadas umas boas, outras ruins. Ruins aos sentidos do coração, mas, o ruim tem seu sentido, principalmente quando se tem ao lado um amigo irmão fiel, íntegro e presente. Fomos crescendo juntos, amadurecendo, olhando chuvas, trovões, sóis e estrelas com olhares múltiplos, mas, sempre juntos. Nos tornamos pai e mãe, e a vida sempre nos brincando com rumos e trajetos próximos. Música, poesia, melodias e fantasias, fizeram nosso caminho mais feliz, até mesmo quando os trovões e raios fortes nos tornavam pequeninos... a vida nos lembrando que onipotência não existe, o que existe é o viver em sua plenitude, sem economia nem pro choro ou pro riso.
O legal do Salloma é transformar o árido, o cerrado, a frieza das grandes metrópoles em acordes e harmonias, com um tom de: o passado não pode se repetir!
Salloma é daquelas pessoas que às vezes tem a fala dura, mas isso, é sinceridade. É raro pérolas assim estarem próximas às mãos, próximas de nossos olhos e adentrar o coração.
Sua música o desnuda e nos coloca de frente à multiplicidade que todos somos: doces, rudes, concretos, românticos, aspirantes de sonhos ou, perplexos e inquietos diante de realidades permanentes ou etéreas , não importa, o importante é não sermos estéreis na vida.
De todo o show e suas falas, uma ecoa aqui dentro:
“ ... precisamos nos preparar para morrer, mas, precisamos principalmente viver...”
Com certeza é mais fácil viver, quando se tem companhias no trajeto.
Salô, que o universo te brinde com tudo o que há de melhor!
Parabéns a nós. Amizade se brinda a cada primavera e estação que se passa!!

Por Grazi Ribeiro


E eu agradeço o presente de brincar de cantar afro-pop com você, Salloma. Não dá pra dizer não. Não quero. Não posso!
Obrigada pelo convite.
Obrigada por nos oferecer suas Notas Tortas na Madrugada.
Por dizer SIM, também.


Notas Tortas da Madrugada

Tanta gente naquele palco que admiro muito...
Alegria imensa conViver e comPartilhar a Música com vocês.
E viva!

‪#‎tenhoidolossim‬ ‪#‎convivocomelesgracasadeus‬
‪#‎notastortasnamadrugada‬ ‪#‎musicanegra‬ ‪#‎amorsemfim‬

Por Naruna Costa: Sobre a alegria de estar no palco com um ídolo:
Salloma Salomão é um artista que me comove e move tantas coisas em mim... Sua voz canta-me histórias que não precisaram ser contadas (tim tim por tim tim), para saber que me pertencem.
Salloma canta um povo inteiro. O meu povo ali, em sua voz quente e úmida de alegres lágrimas que, nem por isso, escondem dores.
As letras, as escolhas, os "arranjamentos" sonoros... Tudo tem à dizer. E tudo me diz: "fica".
É preciso estar aqui. Agora. Presente.






"A periferia se fortalece com mais uma pedrada poética nas ruas,  Salloma Salomão com seu novo álbum nas ruas, becos e vielas: Notas tortas da madrugada, somado com os talentosos da banda Al Andaluz. Sucesso nesse novo trabalho e espalhe suas notas por todos os cantos. Estou muito feliz em fazer parte desse projeto. #SallomaSalomão #notastortasdamadrugada #fábricadeculturaSãoLuiz #CapãoRedondo #poesia #periferia"

A periferia se fortalece com mais uma pedrada poética nas ruas, Salloma Salomão com seu novo álbum nas ruas, becos e vielas: Notas tortas da madrugada, somado com os talentosos da banda Al Andaluz. Sucesso nesse novo trabalho e espalhe suas notas por todos os cantos. Estou muito feliz em fazer parte desse projeto. ‪#‎SallomaSalomão‬ ‪#‎notastortasdamadrugada‬‪#‎fábricadeculturaSãoLuiz‬ ‪#‎CapãoRedondo‬ ‪#‎poesia‬‪#‎periferia‬

Por Rodrigo Kenan

Foto de Edson Shirata.
Foto de Edson Shirata.
Foto de Edson Shirata.
Foto de Edson Shirata.
Noite espetacular meu amigo Salloma Jovino Salomão. Parabéns pela obra e pela vida, nos inspira a cada sopro nas letras, na voz, na performance, na interpretação, na flauta, nos arranjos musicais e com certeza na humildade de se expressar nas falas.
Completo que a satisfação de prestigiar o presente que nos deu em seu aniversário lhe desejo todas as mais positivas vibrações do universo.
Um grande abraço! 
Por Edson Shirata

“Pessoa que escuta em silencio,
Que sofre feliz e canta de saudade!
Tem nos olhos à experiência de um corvo escuro e
Nos dentes a rítmica de um peixe sábio;
A voz esclarecida e a mente fria.
No coração traz a dor e a alegria;
A força e a esperança!
Nas mãos á responsabilidade e o sentido de volta.
Homem que acredita e continua rezando!
Sem cor e sem marcas;
Para a harmonia do mundo.
Paciente e destemido!”

Parabéns Salloma Jovino Salomão

Ana Brandão escreveu na sua linha do tempo.
22:28
Salloma, um abraço já quase soteropolitano e cheio de saudade de compartilhar ideias, cantar junto e ouvir suas músicas! Aqui pertinho do mar, lembramos (eu e Thi) mais da sua música que qualquer outro lugar...ô, o maar, ô o mar, oooo o maar. o mar é fruto da saudade...chorei lágrimas de sal...e quem não chorou...








Satranga de Lima





Satranga (Ourival Carolino) de Lima. Cantor a compositor afro brasileiro radicado na França desde a década de 1980. Gravou 4 Cds e 2 Dvds participou em peças de teatro, programas de tvs e excursionou por França. Belgica, Holanda, Canadá. Saiu do bairro do Valo Velho na periferia sul de São Paulo, em 1982 com um violão Del Rey nas costas e viajou de carona até a Guiana e de lá para Martinica, depois Paris. 




Em 1988 fundou um atelier em Montreal para trabalhar com pessoas em situação de vulnerabilidade social. Seus temas poéticos musicais desde sempre foi a afetividade entre homens e a negritude. Desde 2000 trabalha com pintura e fotografia entre Paris, Montreal e Toronto cumprindo um auto exílio forçado, em função da intolerância comportamental que criminaliza homens não héteros no Brasil.


Dia desses brinquei com uma amiga muito doce e inteligente sobre o que nos atormenta mais, se e ação de kronos sobre nossas células ou sobre nossa consciência. Imagino que minha existência não seria a mesma se não tivesse encontrado Satranga (Ourival) de Lima (1980) . 




Me ensinou muito mais do que seria capaz de apreender. Foi o primeiro a lançar a ideia de intolerância comportamental ao falar de sua condição de exilado, por entender que sua vida estaria sempre em constante perigo no Brasil, em função de sua estética e dos seus afetos. Saiu do Brasil de carona e com um violão e uma mochila no ombro tomou o rumo norte e aportou no Suriname, de lá para  Martinica e chegou "casado" à Paris.






 Tornou-se cidadão francês e posteriormente migrou para Canadá ainda em fins dos oitenta.  Atuou como professor de dança e coreógrafo, músico e ator de teatro. Gravou tres Cds e participou de turnês pela Europa e Canadá até meados de 2000. Antes que temática LGBT tomasse sua atual proporção comercial  compunha quadros, cenas e espetáculos que combinavam um discurso afirmativo negro e sensibilidades homoafetivas.


As Minas Negras seguem soterradas pela miopia, imagens projetadas pelas maquinas de fazer brancura cultural. Rafael GalanteGalante é jovem louco e tem hábito de ouvir passos de gente que já não existe. Fazer batuque com Sinos de Igrejas seculares é fato e é negra cultura musical das Gerais. Se liga:

http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/70

terça-feira, 29 de julho de 2014

Música em Estúdio Casa



O fenômeno cultural dos Home Studios.

A despeito da crise sem precedentes que vitimiza as grandes gravadoras, a produção musical brasileira vive um verdadeiro festival de criatividade. Artistas e músicos desconhecidos do grande púbico fazem carreiras consistentes dentro e fora do Brasil. Principalmente conseguem gravar discos com baixo custo e alta qualidade em estúdios pequenos ou domésticos, explorando os limites da tecnologia de gravação e manipulação digital de áudio.
Muitos músicos e técnicos têm seus pequenos estúdios em casa, ou mini-estúdios para prestação de serviços. Apesar de espaços pequenos, estes home-studios possuem bons microfones para captura de sons, nem sempre convencionais, e ótimos arranjadores formados pelas melhores escolas e universidades, inclusive fora do país, (até mesmo pela Berkeley). A eles somam-se técnicos experientes, alguns dos quais recentemente demitidos dos grandes estúdios e pelas equipes de artistas de renome, que atingidos pela crise, resolvem seus problemas com a contenção de gastos.
Embora não seja algo exclusivo dessa região da cidade de São Paulo, ao que parece, a zona sul possui uma grande concentração de Estúdios desse tipo. Alguns possuem fatos e detalhes curiosos como historiador e músico mineiro Salloma Salomão. Radicado em São Paulo desde a década de 1980, ex-engraxate que se doutorou em História pela Puc, um detalhe folclórico ser engraxate? Já estudou na Universidade de Lisboa e viajou pela África e Europa pesquisando música africana e afro-brasileira. Além disso, ele cria, coleciona e produz seus próprios instrumentos utilizados nas gravações.
Salloma fez toda sua pré-produção em seu home-studio e nas casas dos amigos, agora está finalizando seu quarto disco. Além disso, possui selo próprio, que se prepara para distribuir no Brasil dois artistas brasileiros que vivem na França desde a década de 1980, um Griot da Guiné Bissau (músico-memorialista tradicional da etnia mandinga) que reside em Lisboa. Quem é o outro músico? Braima Galissa. Salloma está se associando a outros produtores para lançar vários outros artistas da Zona Sul, que ele considera um dos seleiros musicais brasileiros desse início de século, justamente por permitir produções baratas e de qualidade.
Salloma tem na música sua principal atividade, atualmente com mais de 10 mil discos vendidos, também trabalha como pesquisador; ministra cursos, workshops, palestras; fornece consultoria para órgãos públicos e empresas privadas como editoras e Ongs, enfocando temas relacionados a música e presença cultural africana no Brasil e à História da África.
Nessa empreitada Salloma conta com colaboração de técnicos, designers, músicos, compositores e artistas como Gugha Fischer (Casa-Estúdio e Voice), Osmar Santos (Brasil 2000 e Casa–Estúdio), Maga Lieri (Casa-estúdio), Edu Schultz (Casa –Estúdio, Pingo no í) , Plínio Secanechia (Estúdio da Vila), Alê Gálio (Casa-estúdio), Marcelo Mutanem Tai (Casa-estúdio), Bob de Souza (SESC e Casa-Estúdio), Wilsinho (Técnico Charlie Brown Jr. e Casa-Estúdio) Claudinei Domingues (Max Design), Zé Brasil (Casa estúdio).
Na zona sul, Grajaú, Primavera, Vila São José, no início dos anos de 1990, aconteciam experiências em casa-estúdio como a de Theo Ponciano, nos Estúdios de Ensaio como dos Grupos como Lixo de Luxo, Na Corda Banda, Banda NEM, Salada Mista e vários outros. Além de Salloma, vários de seus amigos como Theo Ponciano, Osmar Santos, Jair Caminha, Ângelo Flores, Plínio Secanechia e Marcelo Tai, tornaram-se verdadeiros magos na alquimia das cozinhas-sonoras das casas-estúdio.
O fenômeno dos circuitos alternativos e dos Home-Estudiostêm sido estudados(excluir o s, pois trata-se de fenômeno) por pesquisadores (ligados- substituir por atentos) às mudanças do mercado do entretenimento. Ao que tudo indica é apenas o sintoma do (excluir) início de uma grande revolução cultural desencadeada pela globalização( substituir por mudanças) tecnológicas e fomentado especialmente pelo acesso cada vez mais democrático aos sistemas digitais (softwares e hardwares) de gravação e tratamento de áudio.
Vários desses artistas acreditam que qualidade de vida tem a ver com a qualidade das relações interpessoais; e qualidade da produção cultural tem a ver com liberdade de criação. Alguns se apresentam em pocktes-shows, outros atuam em saraus para grupos de 50 pessoas, às vezes residências desativadas e pequenas salas da cidade, mas normalmente são espaços escolhidos a dedo.
Um detalhe que chama a atenção é existência de laços duradouros de amizade e colaboração entre os artistas. Ao que parece a fórmula encontrada por eles consiste principalmente em baixa ansiedade para entrar no mercado, dedicação, pesquisa, experimentação, liberdade de criação, sustentabilidade da carreira e boas doses de amizade e tecnologia digital.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Por uma canção livre

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 Estou empenhado na divulgação do meu novo trabalho musical: Aurora Negra: Cantos e batuques de força , fé e diminutas folias.

O Cd, reflete minhas pesquisas estéticas e históricas ao longo da trajetória e aponta para o futuro, ou para, reais possibilidades de engajamento em torna das lutas negra no Brasil atual. Trabalhei durante um ano e meio, em casa (Mocambo Digital), com um grupo heterodoxo e talentoso de músicos, predominantemente jovens, da cena paulistana. Em termos de sonoridades refizemos caminhos já percorridos em torno de referências africanas da costa ocidental, utilizando marimba, tihumba, djembês, batas, ngonis, koras, para compor texturas de timbres e tramas rítmicas. Também experimentamos tecnologias digitais de ultimas geração e combinamos timbres “puros” com samplers em algumas canções. Em termos da temática poética retomamos as expressões do atlântico negro cada vez mais adequado ao painel da lusofonia a africanizada. Daí letra de Luis Gama, canções de tsungos mineiros e evocações de São Benedito. As células africanas matrizes de congos, jongos e maracatus e cocos atravessam os temas melódicos de ponta- a-ponta. O canto mais fiel e maduro.





Para tanto conto com time de primeira grandeza: Carlos Caçapava- Percussão, Guilherme Prado-Cordas, Elias Souza – Trompete, Wellington Bernado- Trombone, Célio Izidorio- Baixo, Jéssica Evangelista- Flauta, Felipe Rossi – Cordas e Giovani Diganzá- Cordas.
Debora Marçal- Figurino.
São 14 canções autorais e um espetáculo de 90 minutos.










terça-feira, 4 de setembro de 2012

Comboio Atlântico - São Paulo e Rio Branco (UFAC)



“São Paulo: seus povos e sua música” na Biblioteca Mário de Andrade Auditório UFAC - Rio Branco. Maio e Dezembro-2011  





Por Salloma Salomão Jovino da Silva
 Relatando nossa tenaz e criativa presença. 
Ana M. K e Banda Comboio Atlântico.
O projeto apresentou palestras seguidas de concertos sobre os diversos povos, nações e  etnias de São Paulo.
Com curadoria musical de Anna Maria Kieffer, a programação do “São Paulo: seus povos e sua música” deste mês traz debates os imigrantes europeus, latino americanos, asiáticos, africanos, etc, sempre seguidos de concertos. Com entrada gratuita, os eventos aconteceram na Biblioteca Pública Mário de Andrade, das 16h às 18h.
O evento buscou difundir e valorizar a diversidade cultural de São Paulo e apresentar alguns recortes das manifestações que diferentes grupos de imigrantes remotos ou recentes  têm produzido na metrópole.
Kolela Kabengele e Luciane Ramos Dançam ao som do Comboio. 


Africanos em São Paulo
Salloma e Luciane Ramos ensaiam entrada. 

Palestrantes:

Maria Lúcia Montes
ossui graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1964), mestrado em Sociologia - University of Essex 973) e doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1983).



Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Urbana, Antropologia das Religiões, Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, Arte e Patrimônio, atuando principalmente nos seguintes temas: construção cultural do espaço urbano, cultura popular, religiões no Brasil, cultura afro-brasileira, patrimônio imaterial, cultura, memória e identidade, arte e história.

Fily Kanoutê- Senegal



Salloma Salomão
Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997), mestrado (2000) e doutorado (2005) em História pela mesma instituição e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Tem experiência em pesquisa e ensino na área de História, com ênfase em História do Brasil Império, atuando principalmente nos seguintes temas: Práticas culturais negras nos séculos XIX e XX, identidades étnicas, movimentos negros urbanos. Atua como consultor em projetos de formação continuada de professores para instituições públicas e privadas em temáticas voltadas para: Relações étnico-raciais, História e Culturas Africanas e Afro-Brasileira.



Luiciane Ramos contempla a cidade.

Comboio Atlântico- Musicalidades e corporalidades diaspóricas, africanas e afro-brasileiras
Comboio Atlântico- Musicalidades e corporalidades diaspóricas, africanas e afro-brasileiras

http://www.bemelmans.com.br/annamariakieffer2.htm
07/mai - sábado - 16h às 18h - Africanos
palestras de: Maria Lúcia Montes e Salloma Salomão
apresentação musical: Comboio Atlântico
REALIZAÇÃO
Biblioteca Mário de Andrade e
Associação de Amigos e Patronos da Biblioteca Mário de Andrade
Relase: Desde o século XVI aportam em terras brasileiras africanos das mais variadas procedências. São Paulo, por sua condição, também é feita de cadinhos de áfricas. Antes eram raros os expatriados do tráfico triangular, porém em função do tráfico interno, ao fim do século XIX eram milhões. Atualmente cruzamos o Atlântico em vários sentidos. Alguns afluem à metrópole para intercâmbios culturais, comerciais e acadêmicos, outros em busca de melhores dias. Esses trânsitos ganham várias dimensões, mas as artísticas é que revigoram e dinamizam os laços com a África mãe.  Comboio Atlântico é um diálogo performático entre músicos e dançarinos africanos e brasileiros de origem africana (ou não), que tem no velho continente um ponto de partida estético e filosófico em comum.



Kolela e Luciane Ramos

Salloma Salomão (Historiador e músico) Direção, Voz e Flauta.
Fily Kanoutê (Escritor e músico senegalês de origem malinke) Voz, Violão e Percussão.
Carlinhos Antunes (Músico e pesquisador de sonoridades africanas)  Kora, Ngoni, Violão.
Dinho Nogueira (Músico e educador) Arranjos, Violão, Viola e Urucungo.
Carlos Caçapava (Músico, educador e construtor de instrumentos) Percussão.
Bob de Souza(Músico e pesquisador) Contra Baixo e Bolombato.
Daniel Alves-( Músico e pesquisador) Percussão
Luli Ramos- (Antropóloga e Dancarina).Coreografia-
Kolela Kabengele- (Arquiteto e Bailarino nascido na República Democrática do Congo, de origem Basanga.) Coreografia.
Debora Marçal-(Dançarina, Atriz e Educadora) Iluminação.
Roberto Silva ( Técnico de som Biblioteca Mário de Andrade)  Sonorização.

Dinho Nogueira e Banda Comboio Atlântico


Cena/música
conteúdo
Dançarino/Músico
Iluminação
1-      Cena 1
Instrumental
1-Musica 1
entrada dos tambores
Dialogo em 6/8 Malinke- Yoruba( AfroB)  SOLO Caçapava
Daniel e Jó de um lado e Caçapava do outro
Luz branca laterais
2-      Cena
Instrumental
 2– Musica 2
Kri e Kalimba  e apenas Jó no Djambê, sons mais leves para entrada dos dançarinos

Entra primeiro LULI e depois Kolela
Luz Branca laterais
3-      Cena 3
Vocal instrumental
3 Musica 3
Tambores interagem evoluem até cortar e cair no silêncio, saída dos dançarinos SOLO Daniel
Kolela, LuLi , Caçapava e Jó e Daniel
Luz amarela boca de cena músicos no escuro
4-      Cena 4
Improviso/Sabaalanfon /Africanita (Antunes)

Entrada da Kora e Violão suave, improviso com efeitos de percussão  evoluindo para intro de Seriema
Entrada do Carlinhos e Dinho, Caçapava e Jó e Daniel
Luz amarela palco geral
5-      Cena
 Seriema-Música 5
Entrada Salloma e Bob
Solo vocal Salloma
Todos os músicos/ fim sai a perc. Fica Caçapava
Luz Ambar Salloma vermelha nos demais
6-      Cena 6
Atunes Mungo-Música 6
Solo vocal Carlinhos
Caçapava
Foco Azul polar no Carlinhos e amarela depois em todos
7-      Cena 7
Salia - Carcará- Música 7
Entrada e solo vocal e violão   Filly
Caçapava
Foco vermelho em Fily depois em todos
8-      Cena 8
Kalunga- Música 8
Solo vocal Salloma
Caçapava
 Foco azul esmaecido em  Salloma e verde nos demais em penumbra
9-      Cena 9
Instrumental-Tambores (Escolher)

Retorno do bailarinos propor um tema instrumental mais rápido e pesado para Dança
Retornam Jó e Daniel, Tambores
Luz branca geral até evoluir somente para os dançarinos na boca de cena
10-  Cena 10
Antunes (Música a Escolher)
Solo vocal Carlinhos
Todos os músicos
Luz azul polar Antunes e os demais na penumbra
11-  Cena 11
Viola DAngola Música 11
Solo vocal Salloma
Todos os músicos
Luz Âmbar geral  passando ao verde
12-  Cena 12
Salia - Música 12
solo vocal e violão   Filly
Todos os músicos
Luz Vermelha e transitando para amarelo
13-  Cena 13
Dinha Mira Música 13
Solo vocal Salloma
Todos os músicos
Luz Branca Geral fim







Fily Kanoutê e banda Comboio Atlântico 



Salloma em perfomance. 

Bob de Souza


Caçapava


1
"São Paulo: seus povos e sua música
Biblioteca Mário de Andrade
Secretaria Municipal de Cultura
Prefeitura do Município de São Paulo
SINOPSE
O ciclo
“São Paulo: seus povos e sua música” será o principal evento para celebrar a abertura
total da Biblioteca Mário de Andrade, que ocorrerá em 25 de janeiro de 2011 com grande festividade e cobertura de mídia. A maior e mais importante biblioteca de São Paulo, monumento à
democratização da cultura, totalmente renovada, está pronta para voltar a assumir seu tradicional
papel de ponto de convergência de pensadores, artistas, estudantes e interessados em arte, literatura e cultura em geral. O ciclo oferecerá encontros semanais e temáticos, e cada um deles tratará de determinado grupo de imigrantes, com foco na sua integração com a cidade e na sua riquíssima cultura musical. Cada encontro será composto de uma mesa redonda com especialistas no grupo de imigrantes em questão e seguido de uma apresentação musical representativa daquela comunidade.
Essas apresentações variadas em estilo, são um primoroso resultado de ampla pesquisa musical
elaborada pela curadora artística, Anna Maria Kieffer. Entre instrumentos tradicionais, danças
cantadas, canções litúrgicas e outras tantas raridades, acreditamos que o projeto é a cara da cidade:
diverso, intenso e absolutamente encantador.

OBJETIVOS
O objetivo do ciclo,
“São Paulo: seus povos e sua música”, é difundir as distintas culturas que
se formam e se articulam na cidade de São Paulo, tanto por meio de suas manifestações musicais,
quanto pelo debate das temáticas pertinentes à singular identidade cultural da cidade. Pretende
despertar a percepção dos paulistanos para as características únicas da cidade, além de promover a integração, a tolerância e a discussão de aspectos variados da cultura local, levando-se em
consideração a origem dos diversos grupos e sua integração na cidade. O ciclo mostrará São Paulo

2
como importante centro nacional de arte e cultura e como metrópole de vocação e constituição
cosmopolita.
FORMATO E PESQUISA
O ciclo prevê encontros semanais e, em cada um deles, será contemplado um grupo cultural
diferente. Cada encontro consistirá de mesa redonda com dois palestrantes, que podem ser membros
ou estudiosos da comunidade em questão e deverão, em suas falas, fazer referência, sempre que
possível, ao precioso acervo da Biblioteca Mário de Andrade nessa área. As discussões com
especialistas serão sempre seguidas de apresentações musicais, com o duplo objetivo de envolver o público no conhecimento dessas comunidades, pela abordagem histórica e cultural, e oferecer-lhe
momentos agradáveis de fruição das diferentes manifestações musicais. A referência às obras do
acervo deve criar uma ponte entre o tópico discutido e o conteúdo das obras, de forma a estimular o interesse dos participantes pelo acervo e, consequentemente, levá-lo a frequentar seus espaços. A curadoria musical do projeto está a cargo de Anna Maria Kieffer, pesquisadora e autora do projeto “Cancioneiro Musical”, série de CDs e livros que busca preservar a memória musical dos imigrantes da cidade. Mais do que oferecer apresentações distanciadas do público, nosso intuito é dar ao tema “imigrantes” um recorte mais contemporâneo, com foco nas gerações atuais e nas formas que elas encontraram de relacionar sua herança estrangeira com as influências transculturais da cidade. Os profissionais selecionados para as palestras e apresentações, além de serem exímios conhecedores de sua área de manifestação cultural, desfrutam de prestígio e são influentes dentro e fora de suas comunidades; são indivíduos e grupos com capacidade de mobilizar diferentes públicos e de estabelecer vínculos entre eles e também com a Biblioteca. A mobilização e a participação dessas populações nas atividades da Biblioteca, é mais um dos objetivos deste projeto. Dada a diversidade de grupos de imigrantes que podem ser encontrados em São Paulo, nem todos poderão integrar esse projeto, nesta primeira fase. Escolheram-se, inicialmente, 13 (treze) comunidades de imigrantes.
Abaixo, incluímos a programação parcial dos grupos e alguns profissionais selecionados. Nota-se que tentamos incluir grupos menores e que chegaram mais recentemente à cidade, além dos
‘tradicionais’, numericamente mais representativos. É fundamental enfatizar a diversidade de povos
que compõe a demografia paulistana e a riqueza cultural advinda desse fato.
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Abertura: Apresentação musical: Música do Mundo – 25/01

Árabes – 29/01
Palestrantes:
Dra. Soraya Smaili
Diretora Cultural e Científica do Instituto de Cultura
Programação musical:
“GUERREIROS: os mouros e a tradição musical do Brasil
Intérpretes:
Grupo Sami Bordokan
Sami Bordokan, alaúde e canto árabe
Cláudio Kairouz,
kanoun
William Bordokan,
derbaki ,bandir e daff
Eliezer Teixeira, cantador
Trivolim Companhia de Expressões Populares
(Direção Eliezer Teixeira e Marli Damasceno)
Italianos – 05/02
Palestrantes:
 Rosalba Fachinetti
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Jornalista, bacharel em Comunicação Social pela FAAP-Fundação Álvares Penteado, licenciada em
Pedagogia pela FASP-Faculdades Associadas de São Paulo. É Especialista em Teoria da Comunicação pela Fundação Cásper Líbero e em Filosofia e História da Educação pela PUC. Publicou pela Angellara
Antes que acabe só em pizza, sobre a imigração italiana em São Paulo, na segunda metade do século XX.
- Percival Tirapeli
Música de salão praticada pelos imigrantes nos anos 1910 e 1920:obras de Vidal, Bixio, Tagliaferri. As associações líricas : obras de Rossini. Verdi, Carlos Gomes, Puccini. Herança musical: obras de
Mignone e Guarnieri.
Intérpretes:
Biagio Mario Villani,
piffero / Emilio Ferrara, zampogna
Adelia Issa, soprano
Alessandro Greccho, tenor
Sandro Bodilon, barítono
Leonardo Fernandes, piano
Participação especial: Eloy de Abreu

Russos – 12/02
Palestrantes:
Boris Schnaiderman
Principal intérprete da literatura russa no Brasil, Boris Schnaiderman traduziu diversos autores russos para o português, como Dostoiévski, Tchekhov,
e também, poetas russos. Nasceu em Úman, na Ucrânia, aos oito anos imigrou com os pais para o Brasil. Começou a traduzir autores russos em 1944.
Intérpretes: Coro da Catedral Ortodoxa de São Nicolau
Regentes: Helena Panko Protocevich e Delfim Ricardo Porto JR (Aleluia)
Solista Pe. Konstantino Bussyguin
Leitores: Tatiana Bussyguin e Gustavo Yonemura Ramirez
Obras de compositores russos do Século XIX/XX: Glinka, R. Korsacov, Tchaikowski, Glier,
Rachmaninov, Rubinstein.
Intérpretes:Vesna Bancovic, meio-soprano e Dana Radu, piano.

Japoneses – 19/02
Palestrante:
- Dr. Jo Takahashi
É consultor de arte e cultura na Fundação Japão, onde atuou por 25 anos como administrador
cultural. Desenvolveu e administrou projetos de cooperação cultural entre o Japão e o Brasil. É
criador da produtora Dô Cultural, especializada em cultura japonesa. Jô Takahashi é formado em
arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com pós-graduação, com ênfase em projetos culturais, em universidades do Brasil e Japão.
- Madalena Natsuko
Possui graduação em Licenciatura em Educação Artística com Habilitação em Artes pela Universidade
de São Paulo (1982). Atualmente é Professora Doutora da Universidade de Paulo, onde coordena o
curso de Graduação em Língua e Literatura Japonesa. Tem experiência na área de Letras, com ênfase
em Literatura japonesa, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura japonesa clássica e moderna, pintura e xilogravura japonesa, como também, cultura japonesa. Dedica-se também à produção de obras visuais e à tradução de autores japoneses.

Programação musical:
“Tons de Outono”
A presença da comunidade japonesa em São Paulo, é ressaltada não só pela preservação de suas
manifestações culturais mas também pela atração que essas manifestações têm provocado nos
paulistanos de uma forma geral. Dentre os grupos musicais que mais se têm dedicado ao estudo da
música antiga e contemporânea do Japão, destaca-se a Associação Brasileira de Música Clássica
Japonesa.
Intérpretes:
Danilo Tomic, shakuhachi
Camilo Carrara, violão
Kayami Satomi, violoncelo
Tamie Kitahara, kotô
Yuko Ogura, kotô
Reiko Nagase, kotô
Alexander Iwami, shakuhachi
Germânicos – 26/02
Palestrantes convidados:
- Willi Bolle
Professor titular de Literatura na Universidade de São Paulo. Fez doutorado em Literatura Brasileira
na Universidade de Bochum, Alemanha, onde defendeu sua tese sobre a técnica narrativa de
Guimarães Rosa. Para sua livre-docência em Literatura Alemã na USP (Universidade de São Paulo),
pesquisou a obra de Walter Benjamin e a cultura da República de Weimar. Suas pesquisas tratam dos aspectos relativos à Modernidade no Brasil e na Alemanha e sua intersecção entre a Literatura e a História.
Intérpretes:
Trio Kaiser- Miller- Bock:
Andrea Kaiser, soprano / Gretchen Miller, violoncelo / Vana Bock, violoncelo
Trio MiRiMa:
Uwe Kleber, violino / Gretchen Miller, violoncello / Maria Elisa Risarto, piano
Cantores:
Andrea Kaiser, soprano / Walter Weiszflog, barítono

Húngaros – 12/03
Palestrantes:
- Eva Piller
Ex-presidente da Casa Húngara de São Paulo.
- Anna Verônica Mautner
Psicanalista
Programação musical:
"Karikaso: danças cantadas"
Projeto que evidencia a dança e música vocal húngaras, opondo diferentes tipo de emissão vocal -
presentes nas aldeias e ainda praticadas em São Paulo - à emissão tratada de forma mais erudita,
demonstrada em obras recolhidas nessas aldeias por grandes musicólogos e compositores húngaros
do século XX.
O Grupo Pántlika é dirigido pelo pesquisador e bailarino de origem húngaro-brasileira Pedro Marques,
atual diretor da Casa Húngara , local de concentração das atividades(onde se congrega a maioria das
manifestações) culturais da comunidade em São Paulo.
Intérpretes:
Moças do Grupo Folclórico Pántlika
Pedro Marques, dançarino e percussão corporal
Gedeon Piller,
doromb (berimbau de boca)
Manuela Freua, soprano
Dana Radu, piano

Andinos 19/03
Palestrantes: a confirmar
Programação musical:
Terras Altas
Dentre as imigrações mais recentes na cidade de São Paulo, destaca-se a dos andinos, formada por
culturas quéchuas e aimaras de populações oriundas da Bolívia, Peru e norte da Argentina.
Por outro lado, há, em São Paulo, grupos de estudo e da difusão da música e dos instrumentos dessas regiões, desde os anos 1970, inclusive compondo sobre textos tradicionais pré-colombianos.
Neste projeto, pretende-se mesclar conjuntos de música tradicional com a criação contemporânea, a partir dessas tradições, como o trabalho realizado pelo compositor argentino radicado em São Paulo Willy Verdaguer, um dos fundadores do Grupo “Raíces de América”.
Intérpretes:
Músicos tradicionais e urbanos coordenados pelo pesquisador e compositor Willy Verdaguer.
  Judeus – 26/03
Palestrantes:
Maria Luiza Tucci Carneiro

Historiadora, graduada em História pela Universidade de São Paulo, instituição onde também
desenvolveu seus estudos de pós-graduação em História Social. Desenvolve pesquisas sobre a
questão dos direitos humanos, intolerância, anti-semitismo, etnicidade, escravidão, censura , nazismo
e imigração judaica para o Brasil. É autora dos livros
Judeus e Judaísmo na obra de Lasar Segall, em
co-autoria com Celso Lafer (Ateliê Editorial, 2004), entre outros.

Boris Fausto
Historiador e Cientista Político da Universidade de São Paulo e membro da Academia Brasileira de
Ciências. Em 1953, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco da Universidade
de São Paulo.

Programação musical:
Música Judeu Ashkenasi e Sefaradi
Intérpretes:
Coral Shir Hashirim d Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo
Sylvia Lohn, narradora
David Kullock, hazan
Direção musical e regência: León Halegua


Espanhóis - 02/04 (Programa em elaboração)
Palestrantes:
Ana Tomé
Elena Pájaro Peres
Programação musical
Recuerdos, lembranzas, lembranças
O título do projeto remete a algumas das diferentes línguas faladas pelos imigrantes que aqui
chegaram vindos de diferentes regiões da Espanha.
Peças tradicionais dessas regiões, recolhidas e harmonizadas por importantes pesquisadores e
compositores contemporâneos da imigração espanhola, testemunham essas diferenças culturais e
lingüísticas, incluindo obras de Granados, Pedrell, Falla, Obradors.
Intérpretes:
Flávio Costa, barítono
Ricardo Ballestero, piano
Gisela Nogueira, violão
Grupo Folclórico Galego Lembranza e Agarimo
Direção Maria Fé Varela Vasquez
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Poloneses – 09/04
- Edith Gross Hojda
Socióloga
Outro palestrante: a confirmar
Programação musical: “
Gritos das Montanhas”
A comunidade polonesa em São Paulo mantém suas tradições vivas principalmente através da
dedicação da Família Szot, cujos membros continuaram o trabalho iniciado por seu patriarca
Kazimierz Szot, fundador do Grupo de canto, coral e danças folclóricas Wiosna, há 30 anos.

Intérpretes:
Maria Lucia Szot Golebski, soprano e arranjos
Janina Szot de Castro Rocha, meio-soprano, flautas
Jan Szot, baixo-barítono, flautas e arranjos
Tarik Dib, piano
Daniela Szot Golebski Dib e Marileia Alves Dias Szot, bailarinas e coreógrafas
Lucino Szot, apresentador


Portugueses - 16/04 (Programa em elaboração)
Palestrantes:
Antonio Claret
Diretor do departamento de Promoção e Marketing da Casa de Portugal em São Paulo
Outro palestrante a confirmar
Programação musical:
Cantigas, danças e guitarradas
 
Intérpretes:
Luiza Sawaya, soprano
Achille Picchi, piano e recriação dos acompanhamentos do Cancioneiro
Ricardo Araújo, guitarra portuguesa
Renato Araújo, violão
Saulo Rodrigues, baixo
Agostinho Machado, sanfona
Tocata do Grupo Folclórico da Casa de Portugal
Direção de Agostinho Machado


Coreanos – 30/04 (Programa em elaboração)
Palestrantes: a confirmar
Programação musical:
Coreanos em São Paulo (título provisório)
Obras de música Coral e tradicional, com instrumentos originais, projeto ainda em fase de elaboração,
com a participação de Fernando Daí e outros.


Africanos – 07/05 (Programa em elaboração)
Palestrantes: a confirmar
Programação musical:
Comboio Atlântico
Comboio Atlântico
Os africanos estão presentes no Brasil desde o século XVI e são considerados, já no século XIX, por
Manuel Quirino, como elemento colonizador.
O concerto que encerra a presente série, aborda a herança africana antiga e moderna, incluindo
manifestações musicais da imigração recente. Constitui um diálogo performático entre músicos e
dançarinos africanos e brasileiros de origem africana (ou não), que tem na África um ponto de partida
estético e filosófico em comum.
Obras tradicionais e obras criadas especialmente para a ocasião, sob direção de Salloma Sallomão,
integrando música e dança.
Intérpretes:
Carlinhos Antunes- Kora, Ngoni, Violão
Angelo Flores Cello- Cello e Percussão
Salloma Salomão- Direção, Voz e Flauta
Dinho Nogueira- Arranjos, Violão, Viola e Urucungo
Carlos Caçapava- Percussão.
Fily Kanoutê- Voz, Violão e percussão.
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Bob de Souza- Contra Baixo e Bolombato.
Rodrigo Star- Bateria
Coreografia- Luli Silva e Kolela Kabenguelê
*Os palestrantes estão em fase de contratação, sujeitos a alterações
PROGRAMAÇÃO E INFORMAÇÕES
PROGRAMAÇÃO
Programamos um total de
14 encontros nesta primeira fase, sendo uma abertura, no dia 25/01,
provisoriamente nomeada “Música do Mundo”, e 13 temáticos, que serão realizados nos sábados
seguintes (com exceção do dia 05/03, Carnaval e 23/04, Páscoa) das 16h00 às 18h00, até o dia 14 de
maio.


LOCAL DE REALIZAÇÃO
Auditório da Biblioteca Mário de Andrade.
A Biblioteca Mário de Andrade é tradicionalmente um centro de referência em literatura e cultura em
geral, está localizada na região central de São Paulo, com fácil acesso de qualquer região da cidade,
próxima a duas estações do metrô, um terminal e paradas de inúmeras linhas de ônibus.
O Auditório, recém reformado, possui capacidade para 170 pessoas, acessibilidade, cadeiras com
apoio para escrita, palco e uma acústica impecável. Além disso, ostenta a beleza deste prédio
histórico, recentemente restaurado e importante exemplar de arquitetura
art déco, que é um íconeda cidade.